Precisamos de mais mulheres críticas de rock

Tradução do artigo The World Needs Female Rock Critics escrito por Anwen Crawford e publicado no The New Yorker.

Não conte pra ninguém, mas eu não tenho nenhum álbum dos Rolling Stones. Eles são tão arquetípicos, tão rock’n’roll – e por isso, eu acho, que é difícil de gostar. O rock raramente oferece às mulheres as mesmas promessas tangíveis de rebelião social e liberdade sexual que oferece aos homens – porém muitas mulheres, inclusive eu, tentei encontrar as mesmas liberdades através do rock. “Semsaco pra bofe guitarrista,” a jornalista Lillian Roxon escreveu pra um amigue, em 1966, “Eu acho que não vou conseguir aguentar outra maldita guitarra elétrica na minha frente.” eu sei como ela se sentiu.

Em 1969, Roxon – nascida na Itália, criada na Austrália, uma experiente jornalista e como uma estrela da salinha do Warhol no fundo do Max’s Kansas City publicaria “Lillian Roxon’s Rock Encyclopedia” a primeira do tipo, uma maravilha da pesquisa e da crítica. Com seis meses de publicação, o livro teve sua terceira edição de capa dura, e Roxon teve seu perfil publicado no Times. Faz décadas que o livro foi publicado. (Roxon morreu em 1973, com 41 anos de idade). Ellen Willis, uma contemporânea de Roxon, foi a primeira crítica de música popular do The New Yorker, começando em 1968, mas uma coleção de textos sobre música dela “Out of the Vinyl Deeps”, só foi publicada em 2011, 5 anos depois da sua morte. Esse mês a escritora estadunidense Jessica Hopper, uma editora senior da Pitchfork publicou um livro chamado “The First Collection of Criticism by a Living Female Rock Critic.”(A Primeira Coleção de Críticas por Uma Mulher Crítica de Rock que está Viva). O título é mais uma provocação do que uma afirmação, mas também não é nenhuma mentira. Títulos escritos por críticas de rock (ou jazz, hip-hop, e dance-music, por assim dizer) são escassos. Numa nota introdutória de seu livro, Hopper nomeia Roxon, Willis, a jornalista inglesa Caroline Coon, e a antologia “Rock She Wrote” editada por Evely McDonnell e Ann Powers, como precursoras de seu trabalho. “O títulos não tem a intenção de apagar a nossa história, mas sim, ajudar a marcar o caminho”, escreve Hopper.Um caminho que não é fácil de discernir. Os mais famosos críticos de rock – Robet Christgau, Greil Marcus, Lester Bangs, Nick Kent – são homens. Bangs, que morreu em 1982, com 33 anos, permanece como o mais icônico de todos eles. Porque? Por causa do seu estilo de vida hard, drogado, óculos-escuros-de-noite e seu jeito gonzo que fez dele muito mais um ideal masculino anti-herói do que seus objetos de estudo. A pose não funcionou tão bem para as críticas mulheres, de quem dá demonstrações de atitudes bagaceiras são raramente toleradas, muito menos celebradas. As rebeldes do rock, incluindo suas escritoras, raramente assumiam sua genialidade; frequentemente, elas assumiam ser putas. Em uma biografia da Lillian Roxon de 2002, “Mother of Rock” de Robert Milliken, a protegida de Roxon, Kathy Miller, lembra que era desafiada por um editor que designou à ela a tarefa de escrever sobre o The Who e depois pediu um boquete em troca, dizendo, “Qual é o problema? Você é uma groupie.”. Ela respondeu: “Eu sou uma mulheres que escreve sobre rock’n’roll. Ele disse:”A mesma diferença”(Uma piada/trocadilho em inglês: Same difference). Groupie provou ser um estereótipo duradouro da participação das mulheres no rock: bajuladoras, lindas, desprezadas.No começo desse ano Hopper entrevistou a Björk pra Pitchfork (entrevista traduzida aqui). Na entrevista, que não foi incluída no livro, Björk refletiu sobre as maneiras em que o trabalho e as especialidades das mulheres, dentro e fora da indústria fonográfica, passa despercebido. “É invisível, o que as mulheres fazem”, ela diz. “Não é tnao valorizado”, ela observa que seus colaboradores homens são normalmente creditados pelo som dos discos dela; porque no palco ela canta principalmente, tem uma presuposição de que ela não é produtora e nem toca nenhum instrumento. “Eu queria apoiar garotas jovens com vinte e poucos anos agora e dizer pra elas: Você não está imaginando coisas”, disse.

Quando eu tinha 14 anos, eu fiquei do lado de fora de uma aula de ciências segurando uma pasta decorada com vários rosos que eu tinha cuidadosamente recortado de páginas de revistas de música. Apontando pra uma foto da Björk na minha pasta, um garoto zombou de mim “Aposto que você nem sabe quem é ela”. (Isso deve ter sido por volta de 1995 quando a imprensa musical estava com uma crush passageira nas Mulheres do Rock). Eu SABIA quem era a Björk porque a minha mãe, que era jovem e descolada, tinha me criado ouvindo Sugarcubes, a banda Islandesa da qual a Björk fazia parte antes de lançar a carreira solo. Eu não me lembro de dizer isso pro cara que me acusou, mas eu duvido que ele teria acreditado. A loja de discos, a loja de guitarras, e agora as mídias sociais: quando falamos de música popular, esses lugares se tornam palcos de demonstrações de valentia masculina. A especialidade das mulheres, quando aparece, é repetidamente descartada como fraudulenta. Toda mulher que já se aventurou em expor sua opinião sobre música popular, pode ter sido no corredor da minha escola ou uma variação disso (ou centenas), e se tornou uma “expert”(musicista, crítica) reconhecida, não estará a salvo das acusações de falsidade.

O problema para as mulheres é que nosso papel na música popular foi codificado muito tempo atrás. E foi codificado, em partes, pela primeira imprensa musical. Em um esforço para provar a cena “burgeoning” de rock dos anos sessenta um assunto digno de crítica, o rock precisava se estabelecer como sério e autêntico. Um dos resultados desses argumentos – os Rolling Stones vs Muddy Waters, Motown vs Stax, Bob Dylan vs o mundo – foi como as mulheres saíram nessa, no lado perdedor, como fúteis e fajutas. Seja uma fã adolescente ou uma integrante de um grupo de meninas, às mulheres faltava autenticidade – até mesmo as críticas mulheres achavam. “The Supremes mimetiza com uma precisão de máquina o som da Motown”, escreveu Lillian Roxon na sua enciclopédia de rock. “Tudo funcionou para elas e elas não se rebelam contra o sistema”. Julgamentos como esse ainda são rotineiramente aplicados às mulheres artistas nos dias de hoje. No livro de Hopper, no capítulo “Real/Fake”, aparece um artigo de 2012 sobre Lana Del Ray, uma artista que tem um visual que te joga de volta para aquelas cantoras de cabelão e olhos cheios de rímel dos anos 60, e cuja carreira se desdobrou debaixo de uma nuvem de dúvidas quanto as suas credencias, musicais e outras também. “Como audiência, fazemos uma besteira muito grande querendo saber a verdade, mas só estamos mesmo interessados em velhos mitos” escreve Hopper. O mito da sedução desonesta das mulheres é um dos mais velhos.

Pra críticas do começo como Roxon e Willis, o ponto alto foi Janis Joplin. Joplin, como os Rolling Stones, emprestou muito do blues, seus estilo meio raggado parecia ser um traço autêntico. Mas sua posição solitária como, nas palavras de Willis, “a única heroína da cultura dos anos 60 a se visibilizar e a experiência pública da busca por liberação individual”, também a deixou aberta para o ataque. A sexualidade desafiadora de Joplin, e o desprezo que ela enfrentou por isso, revelou os limites e hipocrisias da contracultura.”Escritores estupram ela com palavras como se não houvesse nenhum outro jeito de lidar ocm ela” escreveu Roxon. A frustração que muitas das fãs de Joplin sentiram com seu tratamento e depois a tristeza com sua morte prematura, foi algo que essas mulheres carregaram, logo depois, nos primórdios dos movimentos de mulheres. Ambas Roxon e Willes se tornaram envolvidas no movimento feminista; O Eunuco Feminino de Germaine Greer, publicado em 1970, foi dedicado a Roxon, quem Greer descreveu na dedicatória como “Lillian a abundante, dourada, eloquente, e bem e mau amada; Lillian a linda que pensa que é feia”.Academia, tirou um passo ou dois de machismo da redação dos jornais, e se provou mais conformada com mulheres escrevendo sobre música popular. Nessa esfera, artigos e livros escritos por escritoras como Tricia Rose, Daphne Brooks, Aisha Durnham, Alice Echols, Gayle Walk, e Angela McRobbi contribuiu para uma rica e contínua produção de análises feministas. Para essas mulheres, escrever parece intermitente apenas na imprensa mainstream, mas depois de 40 ans de teoria crítica feminista em música popular filtrou lentamente para o olhar de críticas mais jovens; como Hopper notou em uma entrevista recente com Hairpin, as publicações digitais trouxeram uma “feroz safra de jovens escritoras cheias de opinião sobre raça, gênero, queer, corpo – pessoas que trazem um formato imaculado de crítica. “Hopper, que começou publicando seu criticismo ainda adolescente no meio de uma onda punk-feminista no começo dos anos 90, depois conhecida como riot-grrrl, mencionou nessa mesma entrevista que quando ela começou a escrever ela não “tinha nada além do ensino médio”. Suas tendências autodidatas e seu estilo de escrita energética e em ritmo de conversa formam uma outra longa tradição na imprensa musical, um lado mais solto e divertido do que nos anos 60 que empurravam para a seriedade – porém, o imediatismo de Hopper não a impede de cobrir assuntos difíceis, como o sexismo endêmico na cena punk, ou os artifícios “banais e destrutivos” de Miley Cyrus.Geralmente negligenciados, os caminhos aberstos pelas mulheres críticas de música interseccionam com outras tradições literárias. Livros de memórias (memoir) têm sido utilisados por mulheres performers para refletir sobre as pressões e contradições dos seus papéis. “Girl in a Band”(Garota da Banda) da Kim Gordon, “Bedsit Disco Queen”(Rainha Disco da Quitinete) da Tracey Thorn, e “Clothes, Clothes, Clothes. Music, Music, Music. Boys, Boys, Boys.”(Roupas.Música.Garotos.) da Viv Albertine, recentemente se juntaram com os clássico mais antigos como “Dreamgril: My life as a Supreme”(Dreamgirl: Minha vida como uma Supreme) e “I, Tina”(Eu, Tina) da Tina Turner para prover uma perspectiva feminina sobre a música popular. Existe também uma notória leva de ficções contemporâneas escritas por mulheres que usam a música popular como objeto principal, desde a Ganhadora do Pulitzer, Jennifer Egan, “A Visita do Esquadrão Goon”(2010) com sua empresária de quinta no music-biz, até a versão apaixonada de Eleanor Henderson da cena hardcore de NY “Dez Mil Santos”(2011), e o misterioso “Stone Arabia”(2012) da Dana Spiotta, em que o irmão do narrador conta seu sucesso imaginário como rock star.

Talvez ficções e livros de memórias, mais do que a crítica, trazem um espaço para mulheres escritoras dissecarem o que tem de mais louco e maravilhoso sobre a música popular: o espetáculo, os truques, as mentiras que ela conta. Mas ainda precisamos de muitas críticas mulheres. “Take it easy, babe” cantou Mick Jagger em “Under my Thumb”, ainda um pedacinho de misoginia como sempre foi, sem se render pelo tempo ou por um milhão de garotas gritando que se balançavam sob o comando de Jagger. Em um artigo de 1971, Ellen Willis argumenta que as “demonstrações cruas de virilidade” de Jagger eram menos sexistas do que a postura “condencendente” de um bohemio tipo Cat Stevens; na medida em que o rock, ela escreve,”confronta meninas adolescentes” com uma energia rudimentar contra suas frustrações conscientes e inconscientes, também fala implicitamente sobre liberação das mulheres. “Eu não concordo inteiramente com a defesa que Willis faz dos Stones, mas eu reconheço a dificuldade de troca que ela descreve, entre a liberdade que o rock nos causa, para uma mulher, e o subjulgamento que ele possa celebrar. É entre essas barreiras que uma mulher que faz críticas trabalha, torcendo para que o caminho fique livre.

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“Tudo que um cara fala uma vez, mulheres têm que falar 5 vezes.”

As pessoas ficam dizendo que tem uma “modinha” feminista acontecendo ultimamente, mas pra mim, o que está acontecendo é simplesmente que por algum motivo começaram a perguntar para as mulheres o que elas pensam sobre viver em um mundo dominado por homens. Na entrevista pra Pitchfork ela fala sobre o disco novo, parcerias e feminismo. traduzi o finalzinho da entrevista aí embaixo ❤

Pitchfork: O mundo tem dificuldade com as autoras mulheres.

björk: Eu não tenho nada contra o Kanye West. Me ajuda aqui – eu não tô fazendo pouco caso dele – isso é sobre como as pessoas falam dele. No último álbum ele chamou os melhores beatmakers do planeta até então, pra fazer as batidas dele. Uma boa parte do tempo ele nem tava no estúdio. E mesmo assim, ninguém questiona a autoria dele nem por um segundo. Se eu tô dizendo alguma coisa aqui pra você que vai ajudar as mulheres, eu vou dizer. Por exemplo, eu fiz 80% das batidas de Vespertine e eu demorei 3 anos pra terminar o álbum, porque era microbatidas – era como um bordado gigante. Matmos veio nas últimas duas semanas e colocou a percussão em cima das músicas, ele não fez nenhuma das partes principais, e em todo lugar estavam dando créditos pra ele como se ele tivesse feito tudo sozinho. [Matmos’] Drew [Daniel] é um amigo muito próximo, e em todas as entrevistas ele corrigia as pessoas. E ninguém nem ouvia ele. É muito estranho.

Pitchfork: Como você se sente quando isso acontece agora?

björk: Bom, eu tenho que dizer – sito que eu vou ganhar no longo prazo, mas eu queria ser parte do zeitgeist também. Eu quero apoiar as meninas mais novas que estão nos seus 20 e poucos anos e dizer pra elas: Você não tá imaginando coisas. É difícil. Tudo o que eu cara diz uma vez, você tem que dizer 5 vezes. Meninas enfrentam problemas diferentes. Eu já me senti culpada por uma coisa: Depois de ser a única menina em bandas por 10 anos, eu aprendi – do jeito mais difícil – que se eu quisesse que minhas idéias fossem aceitas, eu teria que fingir que eles – homens – tinham tido aquelas idéias. Eu comecei muito bem nisso e nem percebi. Eu sou muito egotrip. Eu não me incomodo muito. Só quero que a coisa toda seja boa. E eu não to falando mal dos caras que tocavam comigo nas bandas, porque eles eram incríveis e criativos, e estão fazendo coisas incríveis agora. Mas eu venho de uma geração onde ESSE era o único jeito que as coisas podiam ser feitas. Então eu tenho que me fingir de burra e fazer as coisas com cinco vezes mais energia, e aí eu vou conseguir.

Quando as pessoas não me dão crédito pelo que eu faço, é por muitas razões. Eu vou ficar muito metódica agora! (risos) Um! Eu aprendi que muitas mulheres tem que fazer oa caras na sala acharem que as idéias são DELES, e então apoiá-los. Dois! Eu passo 80% do processo de composição dos meus álbuns sozinha. Eu escrevo as melodias. Eu fico no computador. Eu edito muito. Pra mim é muito solitário. Eu não quero ser fotografada quando tô fazendo isso. Eu não convido ninguém. E os 20% do processo eu chamo as orquestras de cordas, os extras, isso é mais documentado. Isso é o que as pessoas vêem. Quando a eu conheci a M.I.A., ela tava resmungando sobre isso, e eu disse, “Só tira uma foto sua na frente da mesa de mixagem no estúdio e as pessoas vão dizer “Ah, ok! Uma mulher com uma ferramenta, tipo um homem com uma guitarra.” Não que eu não tenha feito muito isso , mas as vezes a gente é melhor dando conselho pras outras pessoas do que pra nós mesmas. Eu lembro de ver uma foto da Missy Elliott na mesa de mixagem no estúdio e ficando tipo, a-ha!É muito do que as pessoas vêem. Durante um show, porque tem pessoas no palco fazendo os outros pedaços, eu sou só a cantora. Por exemplo, eu pedi pra Matmos tocar todas as batidas na turnê do Vespertine, então é meio que compreensível que as pessoas pensem que ele fez elas. Então talvez nem todo o sexismo seja do mal. (risos) Mas é uma batalha em andamento. Eu espero que não fique muito defensivo, mas é a verdade. Com certeza eu posso sentir a terceira ou quarta onda do feminismo no ar, então talvez seja um bom momento de abrir a caixa de Pandora um pouco e deixar circular o ar.

Cakes Da Killa – Entrevista do HipHop Reborn

Entrevista muito boa com o Cakes Da Killa (em inglês sem legendas)!

“Se você perceber, as pessoas que estão chegando agora, tipo, ODD Future, Nicki Minaj, todas essxs rappers são tão fora do que a forminha do hip-hop é. […] Então eu sinto de um jeito, é mais fácil para um rapper gay aparecer e poder brilhar um pouco, mas é claro que eu não vou ter as mesmas oportunidades que eu teria se eu fosse um rapper hétero. […] Ninguém vai me levar à sério, eu faço sexo com homens e ainda por cima sou super feminino […], mas acho que se você se você tiver talento e se mantém autêntico o que você faz no quarto não vai importar”

“O rap é uma coisa que eu gosto, que eu sei fazer, então eu vou fazer. E eu vou falar de quantos pintos eu chupei, eu vou falar da minha primeira experiência homossexual, e eu vou fazer de um jeito que nem os caras héteros nem vão saber o que tá acontecendo, porque eu tenho o talento e a habilidade necessários. Então eu não estou nem aí se você não gosta de quem eu trepo… Eu não ligo pra essa homofobia.”

“Ser gay é muito importante pra mim.  Me perguntam se eu sou parte da comunidade gay OU da comunidade afro-americana, e eu acho que sou parte desses dois mundos porque como gays negros temos a nossa própria linguagem, nosso próprio vocabulário, nossa própria maneira de fazer arte, de ser “vogue”. Fazemos coisas que não são familiares para a comunidade gay e fazemos coisas que também não fazem parte do universo afro-americano, então sinto que vivemos na nossa própria bolha e eu gosto disso.”

Las Taradas

Las Taradas é esse grupo baphônico de mulheres que se juntaram no início de 2010 pra fazer versões de canções antigas. Do bolero ao swing ao cha cha cha, cumbia, ranchera, é música latina tocada por mulheres (o que sempre é melhor, né?).

Aqui vai um clipe de uma música que tem a participação da Miss Bolívia maravelhousa.

Las Taradas é Doña Luisa Malatesta (voz, cavaquinho e acordeão), Lucia de Paco (guitarra y voz), Encarnación de los Males (baixo y voz), Maricarmen Montenegro (voz y trompete), Exaltación de la Cruz ( violino y voz), Tía Nidia López do Pandeiro (percussão y voz) e Kelly G (sax, clarinete y voz)

Site: http://www.lastaradasweb.com.ar

Youtube: https://www.youtube.com/user/lastaradasvideos